Nem parece que já passaram duas semanas no laboratório! Ainda a aprender as técnicas, a tentar digerir toda a informação que me passam, a esforçar-me para fazer as coisas da maneira certa. Mas, embora ainda não completamente aclimatizado, sinto que estou de facto no sítio certo! J O grupo, o Curie, a Edith...
Aqui ficam fotografias do nosso edifício (o mais recente do Curie), da Edith (com a Marie discretamente ao lado), do grupo (no passeio que fizeram no ano passado à Grécia) e das células com que trabalhamos, células embrionárias de ratinho!
O grupo chama-se "Epigenética e Desenvolvimento dos Mamíferos".
A epigenética é uma das áreas da biologia que está na berra e que mais tem evoluído nos últimos tempos. Vem mostrar-nos que não nos resumimos ao nosso DNA, à genética - "epi" quer dizer "para além de" - mas que há características que se passam hereditariamente que não estão gravadas no nosso código genético.
Como o exemplo que a Edith nos dá: numa colmeia, a abelha-rainha é geneticamente igual às obreiras, são clones umas das outras, mas a rainha vive durante vários anos, põe milhares de ovos, enquanto as outras morrem ao fim de algumas semanas e não se reproduzem. O que as torna diferentes? A rainha é a larva que foi alimentada com a "geleia real". Esta alimentação não altera o seu DNA mas activa e reprime determinados genes. E há uma memória destas alterações, porque mesmo que a rainha deixe de ser alimentada com a geleia real, estas marcas epigenéticas perpetuam-se pelas suas células em multiplicação ao longo do seu crescimento.
Não trabalhamos com abelhas mas com ratinhos e as suas células embrionárias, para estudar um processo epigenético que acontece com o cromossoma X. Mas essas explicações ficam para outro dia J